O que a fuga de milionários diz sobre a economia de um país

O que a fuga de milionários diz sobre a economia de um país

Publicado em 26 de agosto de 2025Atualizado em 11 de junho de 2026

Milionários não deixam seus países sem motivos, e o fazem não por ganância, mas por preservação. Ninguém gosta de pagar impostos, por mais que sejam necessários ou mesmo justos. Neste artigo procuramos entender as razões da fuga de capitais que vários países têm visto nos últimos anos.

Independente de país, nacionalidade, patrimônio acumulado ou mesmo envolvimento com o estado, o capital sempre procura os locais onde tem mais proteção e menos intervenção estatal. Não são poucos os casos de bilionários que trocam de domicílio fiscal ou usam artifícios legais com o objetivo de pagar menos impostos e ter mais liberdade financeira.

Os bilionários e os paraísos fiscais

A Suíça, por muitos anos foi considerada um paraíso fiscal e até hoje ainda oferece algumas vantagens, especialmente em termos de sigilo bancário. Outras jurisdições como Ilhas Cayman, Dubai ou Paraguai também se colocam nessa categoria e recebem cada vez mais empresas offshore, para as quais se transferem os patrimônios de indivíduos e famílias de maior poder aquisitivo. não é para menos: quanto maior o capital, maior é o montante de impostos devido.

E isso não se resume aos ricos tidos como ‘capitalistas’. Exemplos famosos como Gerard Depardieu, ator francês defensor do socialismo, há anos transferiu seu capital para a Rússia a fim de pagar menos impostos; o ministro Luís Roberto Barroso, que sempre demostrou apreço pelo socialismo, chegando a defender Cesare Batisti criou uma série de empresas offshore para pagar menos no Brasil; o ex-ministro Paulo Guedes também buscou refúgio em paraísos fiscais.

A legitimidade da mudança de domicílio fiscal

O dinheiro não tem ideologia, e seus donos sempre buscam sua proteção. Algo que, aliás, consideramos legítimo. O fruto de nosso trabalho tem de ser preservado, para nossa própria proteção e para nossa família. Afinal, quem nunca ouviu a frase ‘dinheiro não aceita desaforo’?

Por trás dessa busca por preservação de capital estão alguns fatores, todos originados pelo establishment, ou a máquina estatal. Desde a pandemia os governos estão mais endividados, precisam aumentar sua arrecadação e relutam em reduzir a máquina estatal. Como normalmente ocorre em governos de esquerda, o aumento de impostos é a saída mais usada; a taxação sobre os mais ricos, na visão da esquerda, é sempre justificável.

Os efeitos para a economia

No entanto, tal decisão em geral tem efeitos deletérios sobre a economia. O grande capital, que tem potencial de investimentos em inovação, produção e geração de empregos, a partir de determinado limite, acaba deixando o país em busca de proteção. E isso significa redução na geração de empregos, nos investimentos em geral e no PIB. A isso, muitas vezes se segue um novo aumento de impostos que compense a perda causada pela saída do patrimônio dos mais ricos, que recairá sobre a população em geral. A taxação do ‘topo da pirâmide’, portanto, tem como efeito um empobrecimento da população em três vias: perda de postos de trabalho; achatamento salarial; aumento da carga tributária.

A relação entre impostos e arrecadação, inclusive, foi estudada pelo economista americano Arthur Laffer, criador da ‘Curva de Laffer’, que demonstra como o aumento de impostos pode levar à queda de arrecadação a partir de determinado limite. Apesar de ser um modelo teórico, que não consegue indicar o ponto em que cada país atinge esse limite, sabe-se que o efeito é real – e o Brasil está próximo dele.

O êxodo brasileiro

Nos últimos anos, como consequência do direcionamento econômico, político e jurídico do país, temos visto a fuga de capitais do Brasil, com saídas não apenas de ‘ricos’ mas também de uma boa parcela da classe média, para países como Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Panamá e outros países da Europa. Segundo dados da Receita Federal, foram mais de 60 mil comunicações de saída fiscal definitiva do país desde o início do governo lula 3; estima-se ainda que cerca de 400 mil tenham deixado o Brasil para residir em outros países apenas em 2023, segundo as últimas avaliações disponíveis.

Quem mais afugenta x quem mais atrai

Os países que mais têm usado essa forma de exportação de divisas são apresentados abaixo:
Reino Unido: 16.500; China: 7.800; India: 3.500; Coreia do Sul: 2.400; Russia: 1.500; Brasil: 1.200; França: 800; Espanha: 500

(números referentes a indivíduos com um mínimo de US$ 1 milhão em investimentos)

Emirados Árabes Unidos (Dubai) e Estados Unidos são os países que mais têm atraído capital de milionários - coincidentemente, dois dos paises de maior liberdade financeira e menor intervenção estatal na economia.

Conclusão

A liberdade financeira e econômica são as verdadeiras forças motrizes do desenvolvimento de uma nação. Onde há liberdade aos cidadãos, empreendedores, empresários e ao mercado em geral, há desenvolvimento.

Esse também é o principal motivo dos Estados Unidos manterem sua posição de maior economia do mundo há tantas décadas, e, mais do que isso, de terem aumentado sua distância em relação à economia da zona do Euro.

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João Augusto C. Fernandes

Escrito por

João Augusto C. Fernandes

Sócio da Wiser Investimentos | BTG Pactual e fundador da plataforma InvestGlobal.

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