Representação do ciclo de rearmamento global da OTAN e as oportunidades de investimento em defesa via ETFs como ITA, EUAD e SHLD

Estratégia de Investimento

A nova era da defesa e como investir no maior ciclo de gastos militares desde a Guerra Fria

Publicado em 12 de julho de 2026Atualizado em 15 de julho de 202614 min de leitura

Os gastos militares globais atingiram US$ 2,87 trilhões em 2025 — o 11º ano consecutivo de alta. A Europa aumentou 14% num único ano, o maior crescimento desde 1953. A OTAN elevou sua meta de 2% para 5% do PIB até 2035. ETFs como ITA, EUAD e SHLD entregaram retornos de 34% a 75% em 2025. Entenda o ciclo geopolítico que está por trás dessa transformação — e como o investidor pode se posicionar.

Por décadas, o mundo ocidental tratou a defesa como um custo que poderia ser minimizado. Com o fim da Guerra Fria, a percepção de que conflitos de grande escala pertenciam ao passado levou a Europa a um processo contínuo de desarmamento — reduzindo gastos militares, desmobilizando forças e dependendo cada vez mais do guarda-chuva de segurança americano. Por quase 30 anos, esse modelo funcionou.

Funcionou até deixar de funcionar.

A invasão da Criméia pela Rússia em 2014 foi o primeiro alerta. A invasão total da Ucrânia em fevereiro de 2022 foi o segundo — mais alto, mais inequívoco. E a postura do governo Trump a partir de 2025, sinalizando que os EUA não podiam continuar sendo o fiador irrestrito da segurança europeia sem contrapartida real dos aliados, forçou uma reavaliação que está redefinindo os fluxos de capital global em defesa de forma que não se via desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os números de 2025 e 2026 não deixam dúvida sobre a magnitude da mudança.

Resposta rápida: Os gastos militares globais atingiram US$ 2,87 trilhões em 2025 — e a Europa liderou o crescimento, com alta de 14% num único ano. Na Cúpula de Haia (junho de 2025), todos os 32 membros da OTAN comprometeram-se a elevar os gastos de defesa para 5% do PIB até 2035 — meta sem precedente desde a Guerra Fria. Para o investidor, o ciclo de rearmamento cria uma tese de longo prazo com contratos governamentais de múltiplos anos, carteiras de pedidos recordes e visibilidade de receita. Os principais ETFs para capturar essa oportunidade são: ITA (defesa americana, retorno de 34% nos últimos 12 meses), EUAD (defesa europeia, +75% em 2025), SHLD (defesa global + tech, +59% anualizado desde lançamento) e MISL (munições e mísseis, +34% nos últimos 12 meses). Os riscos incluem valuation elevado após forte valorização, concentração setorial e sensibilidade geopolítica.

O contexto geopolítico: por que o mundo mudou de forma permanente

Para entender por que o ciclo de rearmamento em curso é estruturalmente diferente dos anteriores, é preciso entender as forças geopolíticas que o estão alimentando simultaneamente — e que dificilmente se reverterão no curto prazo.

A Rússia de Putin: uma ameaça que não vai embora

A invasão total da Ucrânia em fevereiro de 2022 enterrou definitivamente a ilusão pós-Guerra Fria de que a Europa estava além de conflitos territoriais de grande escala. Quatro anos depois, a guerra continua em modo de atrito, com gastos militares russos crescendo 5,9% em 2025 para US$ 190 bilhões — representando 7,5% do PIB russo, o maior percentual já registrado. A Ucrânia dedica 40% do seu PIB à defesa — também um recorde histórico.

Para os países da fronteira leste da OTAN — Polônia, Estados Bálticos, Finlândia, Suécia — a ameaça não é teórica. A Polônia dedica 4,48% do PIB à defesa, a Lituânia 4%, a Letônia 3,73% e a Estônia 3,38% — todos acima da nova meta interina, caminhando para os 3,5% de core defense exigidos pela meta de Haia. São países que entenderam antes dos demais ocidentais que a paz tem um preço.

O Irã e a instabilidade do Oriente Médio

Como documentado no artigo sobre o acordo EUA-Irã desta série, a guerra de fevereiro a junho de 2026 — que incluiu o fechamento do Estreito de Ormuz e a maior disrupção do mercado de petróleo em décadas — demonstrou que conflitos no Oriente Médio têm impacto sistêmico global. O acordo frágil assinado em Genebra não eliminou a instabilidade: Israel continuou operações no Líbano, o Hezbollah segue armado, e o próprio estreito foi declarado fechado novamente dias após a assinatura. Para os países da OTAN, a lição é que o mundo ao redor de suas fronteiras é instável de forma estrutural — não episódica.

A China: o competidor sistêmico de longo prazo

Enquanto a Rússia representa uma ameaça militar imediata, a China representa uma ameaça sistêmica de mais longo prazo — econômica, tecnológica e militar simultaneamente. Os gastos militares chineses cresceram consistentemente por mais de uma década, e a participação da China nos gastos militares da região Ásia-Pacífico subiu de 37% (média 2010-2020) para 44% em 2025. Para a OTAN, a China passou de assunto periférico a tema central da agenda de segurança — um dos fatores que justificou a meta de 5% do PIB aprovada em Haia.

A pressão americana: o catalisador que acelerou tudo

A postura do governo Trump foi o catalisador que transformou uma tendência gradual de rearmamento em urgência. A mensagem foi direta: os EUA não podem continuar subsidiando a defesa de aliados que não contribuem proporcionalmente. O resultado foi a Cúpula de Haia de junho de 2025 — descrita por analistas como uma das revisões mais abrangentes dos compromissos da aliança desde o fim da Guerra Fria. Todos os 32 membros comprometeram-se a elevar os gastos para 5% do PIB até 2035: 3,5% em defesa core e 1,5% em segurança ampliada.

Os números que definem o ciclo

  • US$ 2,87 trilhões — gastos militares globais em 2025 (SIPRI). O 11º ano consecutivo de alta, com carga militar global atingindo 2,5% do PIB mundial — o maior nível desde 2009;

  • 14% de alta na Europa em 2025 — o maior crescimento anual europeu desde 1953. Os 29 membros europeus da OTAN gastaram combinados US$ 559 bilhões em 2025;

  • +20% de alta dos aliados europeus e Canadá — comparado a 2024, adicionando mais de US$ 90 bilhões (em preços de 2021) aos orçamentos em apenas um ano;

  • Alemanha: US$ 114 bilhões em 2025 — alta de 24% ano a ano, ultrapassando 2% do PIB pela primeira vez desde 1990. Projeta chegar a 3,5% do PIB até 2029;

  • Espanha: +50% em 2025 — US$ 40,2 bilhões, acima de 2% do PIB pela primeira vez desde 1994;

  • Pela primeira vez na história da OTAN, todos os 32 membros atingiram ou superaram a meta de 2% do PIB em 2025;

  • Noruega tornou-se o primeiro aliado europeu a superar os EUA em gastos de defesa per capita;

  • ReArm Europe — programa europeu que mobiliza até 800 bilhões de euros para capacidades de defesa continentais, com preferências de aquisição doméstica.

A tese de investimento: por que este ciclo é diferente

Ciclos de gastos militares já existiram antes. O que torna o atual particularmente interessante para o investidor não é apenas o tamanho — é a estrutura que o sustenta.

Contratos de defesa são, por natureza, contratos de longo prazo com governos soberanos. Um tanque não é encomendado e entregue em 90 dias — é contratado por anos, com produção planejada em décadas. A Rheinmetall tem carteira de pedidos que triplicou entre 2022 e 2025 e visibilidade de receita para vários anos à frente. Essa estrutura cria algo raro: previsibilidade de receita em escala bilionária. Enquanto uma empresa de tecnologia pode perder sua principal fonte de receita para um concorrente em meses, um fabricante de defesa com contratos governamentais plurianuais tem visibilidade que poucas indústrias conseguem replicar.

Além disso, o déficit de capacidade a ser preenchido é imenso. Anos de subinvestimento europeu criaram lacunas que não serão preenchidas rapidamente: estoques de munição de 155mm drenados pelo apoio à Ucrânia precisam ser reabastecidos; sistemas de defesa antiaérea estão abaixo das capacidades mínimas em vários países; programas de defesa de fronteira como a "Baltic Drone Wall" estão em estágio inicial. Esse backlog representa uma demanda estrutural que vai além do ciclo político atual.

As empresas em destaque

Rheinmetall (RHM.DE / RNMBY) — Alemanha

A empresa mais emblemática do ciclo de rearmamento europeu. Fabricante de munições, veículos blindados e sistemas de artilharia, suas ações subiram mais de 400% nos últimos três anos, com alta de 150% apenas em 2025. A carteira de pedidos triplicou e a empresa está construindo novas fábricas para atender a demanda. O risco: após valorização tão expressiva, o valuation já embute anos de crescimento — qualquer desaceleração nos contratos pode gerar correção significativa.

BAE Systems (BA.L / BAESY) — Reino Unido

Um dos maiores fabricantes de defesa do mundo, com portfólio que abrange terra, mar, ar e cibernética. Beneficiária do aumento do orçamento de defesa britânico e de contratos internacionais, especialmente com países do Golfo. Mais diversificada que a Rheinmetall — o que reduz o risco mas também limita o upside puro do rearmamento europeu.

Lockheed Martin (LMT) — EUA

A maior empresa de defesa do mundo por receita. Produtora do F-35 — o caça mais encomendado do mundo, com backlog de anos —, de sistemas mísseis Patriot e de satélites militares. Principal beneficiária das vendas militares estrangeiras (FMS) dos EUA para aliados europeus: cada F-35 ou bateria Patriot vendida à Polônia ou à Romênia é receita da Lockheed. Negócios mais previsíveis com dividendos consistentes.

RTX Corporation (RTX) — EUA

Antiga Raytheon. Produz os sistemas de mísseis Patriot — a espinha dorsal da defesa antiaérea de curto e médio alcance da OTAN —, os motores Pratt & Whitney e sistemas eletrônicos de defesa. A demanda por baterias Patriot supera em muito a capacidade de produção atual, com listas de espera de anos.

Airbus (AIR.PA / EADSY) — Europa

Presente tanto na aviação comercial quanto na defesa, a Airbus é um dos maiores beneficiários do programa ReArm Europe. Produz helicópteros militares, o A400M e o Eurofighter Typhoon. A divisão de defesa e espaço representa cerca de 25% da receita total e está crescendo mais rápido que a aviação comercial.

Saab (SAABY) — Suécia

Fabricante do caça Gripen e de sistemas de radar e defesa aérea. A Suécia, recém-incorporada à OTAN em 2024, está expandindo rapidamente sua indústria de defesa. Menor e mais concentrada, com maior volatilidade mas também maior upside potencial em cenários de aceleração dos gastos escandinavos.

Palantir (PLTR) — EUA

Principal player de inteligência artificial aplicada à defesa. Seus sistemas de análise de dados são usados pelo Exército americano, por agências de inteligência e, crescentemente, por forças aliadas da OTAN. A guerra moderna não é apenas hardware — é software, inteligência e dados. A Palantir é o apostador mais puro nessa dimensão digital da defesa — mas também um dos mais controversos em termos de valuation, como discutido no artigo sobre Michael Burry desta série.

Os ETFs: quatro ângulos do mesmo ciclo

ITA — iShares U.S. Aerospace & Defense ETF

O maior e mais líquido ETF de defesa americano, com quase US$ 14 bilhões em patrimônio. Concentrado em contratistas americanos — RTX, Boeing, Lockheed Martin, General Dynamics, L3Harris — que se beneficiam tanto do orçamento doméstico americano quanto das vendas militares estrangeiras para aliados europeus. Retorno de 34% nos últimos 12 meses e retorno anualizado de 19% nos últimos 10 anos. Taxa de administração de 0,40% ao ano. É a base de qualidade para quem quer exposição ao ciclo de defesa com o maior histórico e a maior liquidez disponíveis.

EUAD — Select STOXX Europe Aerospace & Defense ETF

A forma mais direta de capturar o rearmamento europeu especificamente. Lançado em outubro de 2024, reúne cerca de 23 empresas europeias de defesa — Rheinmetall, BAE Systems, Airbus, Thales, Leonardo, Saab, Rolls-Royce, Hensoldt e Dassault. Subiu aproximadamente 75% em 2025. Em 2026, está em consolidação — alta de apenas 4,5% no acumulado do ano enquanto o mercado digere valuations elevados. Taxa de 0,50% ao ano. Fundo concentrado: cinco empresas compõem cerca de 78% do patrimônio. Maior potencial de upside que o ITA; maior volatilidade também.

SHLD — Global X Defense Tech ETF

Abordagem mais ampla, com foco em tecnologia militar — não apenas hardware convencional. Inclui empresas americanas (Lockheed, RTX, Palantir) e europeias (Rheinmetall, Leonardo, Thales), com ênfase em inteligência artificial, cibersegurança e sistemas autônomos. Retorno anualizado de 59% desde o lançamento (em 2023) até março de 2026. Taxa de 0,50% ao ano. Para o investidor que acredita que a defesa do futuro será cada vez mais tecnológica — drones, cyber, IA, satélites —, o SHLD captura essa tese de forma mais concentrada que o ITA.

MISL — First Trust Indxx Aerospace & Defense ETF

Foco específico em munições e mísseis — o gargalo mais imediato do rearmamento europeu. Estoques de projéteis de 155mm e mísseis de precisão foram drenados pelo apoio à Ucrânia e precisam ser reabastecidos em toda a OTAN. Retorno de 34% nos últimos 12 meses. Taxa de 0,65% ao ano. Mais especializado com menor patrimônio que o ITA — menor liquidez e maior risco de concentração, mas exposição mais direta ao gargalo de produção mais imediato do ciclo.

Como acessar esses investimentos

  • ETFs (ITA, EUAD, SHLD, MISL): negociados em bolsas americanas, compráveis por qualquer valor via corretora americana — Interactive Brokers, Charles Schwab ou Avenue Securities (disponível via parceria com a Wiser BTG);

  • Ações individuais americanas (Lockheed, RTX, Palantir): disponíveis diretamente via corretora americana ou via BDRs na B3;

  • Ações europeias (Rheinmetall, BAE Systems, Airbus, Saab): acessíveis via ADRs negociados no mercado OTC americano (RNMBY, BAESY, EADSY, SAABY) pela Interactive Brokers — com menor liquidez do que as ações originárias nas bolsas europeias, mas sem necessidade de conta em corretora europeia.

Os riscos que o investidor precisa conhecer

Valuation após forte valorização

O maior risco do setor em 2026 é o próprio sucesso de 2025. A Rheinmetall valorizou 400% em três anos; o EUAD subiu 75% em 2025 antes de entrar em consolidação. Analistas descrevem 2026 como um período de maior seletividade, em que o mercado exige confirmação dos contratos e entrega operacional. O investidor que chega agora está pagando um prêmio pelo crescimento já esperado, não pelo crescimento futuro a descoberto.

Risco geopolítico reverso: paz pode ser má notícia

Paradoxalmente, um cessar-fogo duradouro na Ucrânia ou uma distensão significativa entre Rússia e OTAN poderia reduzir a urgência política por gastos militares — impactando negativamente as ações de defesa mesmo sem afetar os contratos já firmados. O timing de cada cenário geopolítico importa tanto quanto a tese de longo prazo.

Gargalos de capacidade produtiva

A indústria de defesa não escala rapidamente. Construir uma nova fábrica de munições leva anos; treinar operários especializados, mais ainda. A capacidade de entrega tem limites físicos que podem atrasar a conversão de carteiras de pedidos em receita, decepcionando investidores com expectativas de crescimento imediato.

Risco cambial para o investidor brasileiro

ETFs como EUAD e ações europeias expõem o investidor a flutuações euro-real além do risco setorial. ITA e SHLD, denominados em dólar, têm o risco cambial mais familiar para o investidor brasileiro já dolarizado.

Risco ético e ESG

Investimentos em defesa envolvem considerações éticas que cada investidor precisa avaliar individualmente. Fundos ESG geralmente excluem ou subponderam empresas de armamentos. Não é uma avaliação moral que este artigo faz — é uma realidade prática que o investidor precisa considerar no contexto de sua carteira total.

Checklist: o setor de defesa faz sentido na sua carteira?

  1. Você entende que defesa é um setor geopoliticamente sensível — e que a valorização já ocorrida em 2025 está parcialmente precificada?

  2. Seu horizonte de investimento é compatível com um ciclo de rearmamento que se estende até 2035?

  3. Escolheu a exposição adequada: ETF amplo (ITA) para menor risco, ETF europeu (EUAD) para maior upside potencial, ou tecnologia de defesa (SHLD) para exposição ao componente digital?

  4. Tem conta em corretora americana para acessar esses ETFs e ações?

  5. Considerou as implicações éticas e ESG do investimento em defesa no contexto da sua carteira total?

Conclusão: uma tese secular com valuation que exige disciplina

O ciclo de rearmamento global não é uma moda de curto prazo. É uma resposta estrutural a um mundo que mudou permanentemente — com uma Rússia que voltou ao uso da força como instrumento de política externa, um Irã desestabilizador, uma China que redefine o equilíbrio de poder na Ásia e um contexto americano que exige reciprocidade de seus aliados. A meta de 5% do PIB até 2035 representa um compromisso de uma década de gastos em escala historicamente inédita para o período pós-Guerra Fria.

Para o investidor, isso representa uma tese secular com visibilidade de longo prazo — contratos plurianuais, carteiras de pedidos recordes, déficits de capacidade imensos a preencher. Mas também um setor que já performou muito bem em 2025, com valuations que exigem disciplina de entrada e horizonte de tempo adequado.

A combinação de ITA como base sólida com exposição complementar em EUAD ou SHLD — proporcional ao apetite de risco e ao horizonte de cada investidor — oferece uma forma equilibrada de participar desse ciclo sem concentração excessiva numa única empresa ou geografia.

Use o Mapa do Investidor Internacional para entender como o setor de defesa se encaixa na sua estratégia de diversificação internacional. Se preferir conversar com nosso time diretamente, clique no botão vermelho.

As informações deste artigo têm caráter educativo e refletem dados públicos disponíveis em julho de 2026. Desempenho passado não garante resultados futuros. O setor de defesa envolve riscos setoriais, geopolíticos e éticos específicos. Nada neste conteúdo constitui recomendação individual de investimento. Consulte sempre um profissional habilitado antes de tomar decisões.

Perguntas frequentes

Por que os gastos militares europeus estão crescendo tão rapidamente?

Por uma combinação de fatores: a invasão total da Ucrânia pela Rússia em 2022 eliminou a ilusão pós-Guerra Fria de paz permanente na Europa; a pressão do governo Trump para que aliados contribuam proporcionalmente tornou-se concreta e urgente; e a ascensão da China como competidor sistêmico global adicionou uma dimensão de longo prazo à ameaça. Na Cúpula de Haia de junho de 2025, todos os 32 membros da OTAN — pela primeira vez na história — ultrapassaram a meta de 2% do PIB e se comprometeram com 5% até 2035.

Qual ETF de defesa é mais adequado para o investidor brasileiro iniciante?

O ITA (iShares U.S. Aerospace & Defense ETF) é o ponto de partida mais sólido: quase US$ 14 bilhões em patrimônio, maior liquidez do setor, exposição a Lockheed Martin, RTX e Boeing, retorno anualizado de 19% em 10 anos e taxa de 0,40% ao ano. Para quem quer adicionar exposição europeia, o EUAD complementa bem com foco em Rheinmetall, BAE Systems e Airbus. Para a dimensão tecnológica da defesa — IA, cibersegurança, drones —, o SHLD adiciona exposição a Palantir e sistemas digitais militares.

As ações de defesa europeias já subiram muito — ainda faz sentido comprar?

É a pergunta mais importante do momento. A Rheinmetall subiu 400% em três anos; o EUAD, 75% em 2025. Em 2026, o setor europeu está em consolidação — o STOXX Europe Aerospace & Defense index caiu 1,2% no acumulado até maio de 2026. Analistas veem 2026 como período de maior seletividade, com o mercado exigindo confirmação dos contratos. O argumento para manter a tese é estrutural — contratos de 10+ anos, meta de 5% até 2035 — mas a entrada agora exige horizonte longo e tolerância a volatilidade, dado o valuation elevado.

O que é o programa ReArm Europe e como afeta as empresas de defesa?

ReArm Europe é uma iniciativa da UE que mobiliza até 800 bilhões de euros para capacidades de defesa continentais, com preferências de aquisição doméstica que direcionam contratos para fabricantes europeus como Rheinmetall, Thales, Leonardo e Airbus. Para o investidor, isso cria um argumento adicional para o EUAD — exposição aos fabricantes europeus beneficiados pela preferência doméstica — em complemento ao ITA, que captura fabricantes americanos que vendem via FMS para aliados.

Investir em defesa tem implicações éticas que devo considerar?

Sim — e este é um ponto que cada investidor precisa avaliar individualmente. Empresas de defesa produzem sistemas de armas usados em conflitos armados. Fundos ESG geralmente excluem ou subponderam empresas do setor de armamentos. Do ponto de vista financeiro, defesa é um setor legítimo com contratos governamentais de longo prazo e visibilidade de receita. A decisão final envolve tanto os fundamentos financeiros quanto os valores pessoais do investidor.

Como o papel da China no cenário geopolítico afeta o investimento em defesa?

A China é o fator de longo prazo que sustenta o ciclo de rearmamento além da guerra na Ucrânia. Os gastos militares chineses cresceram consistentemente por mais de uma década, com sua participação nos gastos da região Ásia-Pacífico subindo de 37% (média 2010-2020) para 44% em 2025. Para a OTAN, a China se tornou tema central da agenda de segurança. O desenvolvimento de parcerias China-Rússia e o tema de Taiwan adicionam uma dimensão que, para analistas, justifica a meta de 5% do PIB independentemente do desfecho da guerra na Ucrânia.

Fontes e referências

Revisado por Equipe InvestGlobal em 15 de julho de 2026

João Augusto C. Fernandes

Escrito por

João Augusto C. Fernandes

Sócio da Wiser Investimentos | BTG Pactual e fundador da plataforma InvestGlobal.

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