Representação da segurança tecnológica nas transferências financeiras internacionais — criptografia, SWIFT, blockchain e regulação multilateral

Educação Financeira

Tecnologia bancária e segurança nas transferências internacionais: o que protege seu dinheiro no exterior

Publicado em 06 de julho de 2026Atualizado em 06 de julho de 202617 min de leitura

Muitos brasileiros ainda hesitam em investir no exterior por não saberem onde o dinheiro está ou como funciona a tecnologia por trás de cada transferência. No mesmo período, R$ 813 milhões foram desviados via Pix de bancos brasileiros em uma madrugada. Entenda as camadas de segurança que protegem o sistema financeiro global — e por que proximidade não é sinônimo de segurança.

Um dos argumentos mais comuns de quem hesita em investir nos Estados Unidos ou em outros mercados internacionais é simples e compreensível: não sei onde meu dinheiro está. O banco que eu conheço, onde tenho conta há décadas, onde tenho o gerente que me atende pessoalmente — esse eu entendo. O que acontece com o meu dinheiro quando ele atravessa fronteiras, passa por sistemas que nunca vi, chega a uma corretora num país que nunca visitei — esse processo parece opaco, arriscado, quase misterioso.

Na madrugada de 29 de junho de 2025, enquanto dormíamos, R$ 813 milhões foram desviados do sistema financeiro brasileiro em poucas horas. O ataque foi executado via Pix — o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, que todos os dias processa dezenas de bilhões de reais em transações que parecem simples e seguras porque são rápidas e familiares. A C&M Software, prestadora de serviços tecnológicos homologada pelo Banco Central, foi o ponto de entrada. Um funcionário foi aliciado. Credenciais legítimas foram usadas de forma fraudulenta. O valor desviado equivale a cinco vezes o famoso assalto ao Banco Central de Fortaleza em 2005.

Esse episódio revela algo que este artigo quer deixar claro: familiaridade não é segurança. Proximidade não é segurança. O banco que você conhece opera na mesma internet, usa as mesmas tecnologias e enfrenta as mesmas ameaças cibernéticas que qualquer instituição financeira do mundo — frequentemente com menos recursos para se proteger do que os grandes players internacionais.

Resposta rápida: As transferências internacionais são protegidas por múltiplas camadas de tecnologia e regulação: criptografia de ponta a ponta (TLS/SSL e AES-256), rede SWIFT com protocolos de segurança rígidos, blockchain para rastreabilidade imutável, e supervisão de reguladores como SEC (EUA), CVM (Brasil), FCA (Reino Unido) e a estrutura da União Europeia. Corretoras americanas como Interactive Brokers e Charles Schwab têm proteção do SIPC (até US$ 500.000 por conta) e FDIC (depósitos em caixa). Em 2025, o maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro desviou R$ 813 milhões via Pix — demonstrando que a ameaça cibernética é doméstica tanto quanto internacional.

O contexto: por que a segurança digital importa mais do que nunca

O crime financeiro migrou do mundo físico para o digital de forma acelerada. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2025, foram registradas apenas 21 ocorrências de assaltos a agências e ataques a caixas eletrônicos no Brasil — o menor número em 12 anos, numa série histórica que registrou 3.089 ocorrências em 2015. Os criminosos não pararam de roubar. Mudaram de endereço.

Em 2025, o Banco Central recebeu 76 notificações de incidentes cibernéticos graves de instituições financeiras — 11 vezes mais do que os sete incidentes reportados em 2018. O sistema financeiro brasileiro registrou 12 milhões de indícios de fraude, crescimento de 66,9% em relação a 2024. A inteligência artificial está sendo usada para criar phishing mais sofisticado, deepfakes de voz para engenharia social e ataques automatizados em escala sem precedente.

Nesse contexto, a pergunta relevante não é "o mercado internacional é seguro?" — é "onde os riscos são melhor gerenciados e onde as proteções são mais robustas?"

Como funciona a internet que conecta o sistema financeiro global

Para entender a segurança das transferências internacionais, é preciso entender, em linhas gerais, a infraestrutura sobre a qual elas acontecem.

A internet é uma rede de redes — milhões de computadores e servidores conectados por cabos físicos (incluindo cabos submarinos que cruzam oceanos), redes de fibra óptica terrestres e, crescentemente, satélites de baixa órbita. Não existe um "centro" da internet — ela foi projetada deliberadamente de forma descentralizada, para sobreviver a falhas em qualquer ponto da rede.

Quando você faz uma transferência internacional, os dados não "viajam" como uma carta num envelope. Eles são divididos em pacotes menores, cada um com o endereço de origem e destino, e esses pacotes seguem caminhos diferentes pela rede — passando por roteadores que os direcionam da forma mais eficiente possível. Quando chegam ao destino, são remontados na ordem correta. Tudo isso acontece em milissegundos.

O que garante que esses pacotes não sejam interceptados e lidos por terceiros ao longo do caminho é a criptografia.

Criptografia: o cofre invisível em torno de cada transação

Criptografia é o processo de transformar informação legível em código ilegível para qualquer pessoa que não tenha a chave correta para decifrá-lo. É o equivalente digital de um cofre matemático — exceto que, na versão moderna, seria necessário um computador mais poderoso do que todos os existentes no planeta durante mais anos do que a idade do universo para quebrá-lo por força bruta.

TLS/SSL: o cadeado do seu navegador

O protocolo TLS (Transport Layer Security), também conhecido pelo predecessor SSL (Secure Sockets Layer), é o que garante que a comunicação entre seu dispositivo e o servidor do banco ou da corretora seja criptografada. É representado pelo cadeado que aparece ao lado do endereço do site no navegador e pelo "https://" (o "s" significa "secure").

Quando você se conecta ao site da sua corretora, os dois sistemas trocam chaves criptográficas numa espécie de aperto de mão digital (handshake). Depois disso, todo dado transmitido — login, senha, dados de transferência — é criptografado com uma chave que só esses dois sistemas possuem. Se alguém interceptar os pacotes no meio do caminho, verá apenas sequências de caracteres sem sentido.

AES-256: o padrão de criptografia do sistema financeiro global

O AES-256 (Advanced Encryption Standard com chave de 256 bits) é o padrão de criptografia simétrica usado pelo sistema financeiro global — e pelo governo americano para informações classificadas. Para quebrar uma chave AES-256 por força bruta, seriam necessários mais de 10^77 anos usando todos os computadores existentes. O universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos — 10^10. A criptografia não é a camada fraca do sistema financeiro global.

Criptografia de chave pública e assinaturas digitais

Além da criptografia de dados em trânsito, o sistema financeiro usa criptografia assimétrica para autenticação. Cada instituição financeira tem um par de chaves — uma pública (que qualquer um pode conhecer) e uma privada (conhecida apenas pela instituição). Uma mensagem criptografada com a chave privada só pode ser decifrada com a chave pública correspondente — provando matematicamente que a mensagem veio de quem diz ter vindo. Esse é o princípio das assinaturas digitais que autenticam cada instrução de transferência no sistema financeiro global.

SWIFT: a espinha dorsal das transferências internacionais

A maioria das transferências internacionais entre bancos passa pela rede SWIFT — Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication. Fundada em 1973 e com sede na Bélgica, a SWIFT conecta mais de 11.000 instituições financeiras em mais de 200 países, processando mais de 40 milhões de mensagens financeiras por dia.

A SWIFT não movimenta dinheiro — ela transmite mensagens padronizadas entre bancos, instruindo transferências. O dinheiro em si se move entre as contas que os bancos mantêm uns nos outros (contas correspondentes) ou nos bancos centrais. Mas a mensagem SWIFT é o instrumento legal que autoriza e registra cada movimento.

O sistema SWIFT tem múltiplas camadas de segurança:

  • Rede privada: a SWIFT opera em sua própria rede de telecomunicações privada, separada da internet pública — embora se conecte a ela em pontos controlados;

  • Autenticação de dois fatores: toda mensagem SWIFT requer autenticação de pelo menos dois sistemas ou operadores independentes;

  • Criptografia ponta a ponta: todas as mensagens são criptografadas desde o emissor até o receptor;

  • Programa CSCF (Customer Security Controls Framework): conjunto obrigatório de controles de segurança que todas as instituições conectadas à rede SWIFT devem implementar e auditar anualmente.

O maior ataque documentado à rede SWIFT foi o roubo de US$ 81 milhões do banco central de Bangladesh em 2016 — executado não quebrando a criptografia da rede, mas comprometendo os sistemas internos do banco central bangladeshiano para enviar mensagens SWIFT fraudulentas com credenciais legítimas. A lição: a rede é segura; o elo mais fraco é sempre o elemento humano e os sistemas internos das instituições que a ela se conectam.

Blockchain: rastreabilidade imutável como camada adicional

A tecnologia blockchain — popularizada pelas criptomoedas, mas adotada crescentemente pelo sistema financeiro tradicional — adiciona uma camada de rastreabilidade imutável às transações financeiras. Como discutido no artigo sobre Ethereum desta série, uma blockchain é um registro distribuído de transações que não pode ser alterado retroativamente sem que todos os participantes da rede percebam.

No contexto financeiro, bancos como JPMorgan (com sua plataforma Onyx e a stablecoin JPM Coin) e o Banco Central do Brasil (com o desenvolvimento do DREX, o real digital) estão usando tecnologia blockchain para criar trilhas de auditoria imutáveis de transações — especialmente úteis para transferências internacionais, que atualmente podem levar dias para serem liquidadas definitivamente.

A tokenização de ativos sobre blockchain — como discutido no artigo sobre o Ethlabs desta série — cria registros de propriedade que são publicamente verificáveis e impossíveis de falsificar sem comprometer toda a rede. É uma camada de segurança estruturalmente diferente da que os sistemas bancários tradicionais oferecem.

As camadas regulatórias: quem supervisiona o dinheiro no exterior

Além da tecnologia, o sistema financeiro internacional opera sob supervisão regulatória de múltiplas camadas — e as exigências regulatórias das principais jurisdições são, em muitos casos, mais rigorosas do que as brasileiras.

Nos Estados Unidos

  • SEC (Securities and Exchange Commission): supervisiona corretoras, gestoras de fundos e qualquer entidade que ofereça valores mobiliários ao público americano. Toda corretora americana que aceita clientes brasileiros (Interactive Brokers, Charles Schwab) é registrada e supervisionada pela SEC, com obrigações de segregação de ativos de clientes, relatórios periódicos e capital mínimo;

  • FINRA (Financial Industry Regulatory Authority): autorregulador que supervisiona corretoras e profissionais de valores mobiliários, com foco em proteção do investidor;

  • SIPC (Securities Investor Protection Corporation): garante os ativos de clientes de corretoras americanas até US$ 500.000 por conta (incluindo US$ 250.000 em dinheiro) em caso de falência da corretora — não contra perdas de mercado, mas contra falência institucional. A Interactive Brokers tem cobertura adicional de até US$ 30 milhões por conta via seguro privado suplementar;

  • FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation): garante depósitos bancários até US$ 250.000 por depositante por banco.

No Brasil

  • CVM (Comissão de Valores Mobiliários): supervisiona o mercado de valores mobiliários brasileiro, incluindo BDRs e ETFs negociados na B3;

  • Banco Central: regula e supervisiona instituições financeiras, incluindo corretoras de câmbio e as novas normas para fintechs (como as Resoluções BCB 521 e 561 sobre stablecoins, discutidas em artigo anterior desta série);

  • FGC (Fundo Garantidor de Créditos): cobertura de até R$ 250.000 por CPF por instituição para depósitos e CDBs.

Na União Europeia

  • MiFID II (Markets in Financial Instruments Directive): regulamentação que obriga proteção do investidor, transparência de custos e adequação de produtos ao perfil do cliente em toda a UE;

  • MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation): o marco regulatório europeu para criptoativos, que entrou em vigor em 2024 e inclui o USDC e outras stablecoins relevantes;

  • Proteção de depósitos: esquemas de garantia de depósitos em cada país membro da UE cobrem até €100.000 por depositante por instituição.

Como funciona uma transferência internacional na prática

Para desmistificar o processo, eis o que acontece quando um brasileiro transfere dinheiro para uma corretora americana:

  1. Câmbio no Brasil: o investidor contrata uma operação de câmbio com um banco ou corretora de câmbio autorizada pelo Banco Central. O dinheiro em reais é convertido em dólares à taxa de câmbio acordada, com registro na posição cambial da instituição;

  2. Transmissão via SWIFT: a instrução de transferência é enviada via SWIFT do banco brasileiro para o banco correspondente americano. A mensagem é criptografada, autenticada e registrada em múltiplos pontos da rede;

  3. Liquidação nos EUA: os dólares chegam ao banco correspondente americano, que os credita na conta da corretora do investidor. A liquidação internacional (SWIFT) tipicamente leva 1-2 dias úteis;

  4. Confirmação e custódia: a corretora americana credita os fundos na conta do cliente e os mantém em custódia segregada — separada do capital próprio da corretora, por exigência da SEC. Se a corretora quebrar, os ativos do cliente não fazem parte da massa falida.

Todo esse processo deixa rastros auditáveis em múltiplos sistemas — no Banco Central brasileiro (via CBE), na SWIFT, nos bancos correspondentes e na corretora americana. É precisamente essa rastreabilidade multi-jurisdicional que torna o sistema financeiro internacional mais difícil de fraudar em larga escala do que sistemas puramente domésticos.

O que o ataque à C&M Software revela — e o que não revela

O ataque de 29 de junho de 2025 merece análise detalhada, porque é frequentemente mal compreendido. Os criminosos não quebraram a criptografia do Pix. Não invadiram o sistema do Banco Central. Não hackaram os bancos diretamente.

O que fizeram foi identificar um elo fraco na cadeia: a C&M Software, uma prestadora de serviços de tecnologia de menor porte que conectava instituições financeiras ao sistema Pix. Durante 3-4 meses, estudaram os sistemas da empresa. Aliciaram um funcionário interno. Na noite de domingo — quando os sistemas de monitoramento humano estavam reduzidos —, usaram credenciais legítimas desse funcionário para gerar ordens de pagamento fraudulentas.

R$ 813 milhões foram desviados antes que o ataque fosse detectado. Os recursos foram pulverizados imediatamente via Pix para corretoras de criptomoedas — usando a velocidade e a finalidade do próprio sistema como escudo.

O que esse episódio ensina não é que o Pix é inseguro — é que o elo mais fraco de qualquer cadeia de segurança é o elemento humano, especialmente em prestadores de serviços de menor porte com menos recursos para segurança cibernética. Os grandes bancos americanos — JP Morgan, Goldman Sachs, Citibank — investem bilhões de dólares anuais em cibersegurança. A Interactive Brokers, por exemplo, investe consistentemente mais de 15% de sua receita em tecnologia e segurança. A comparação com uma PSTI brasileira de porte médio não é favorável à segunda.

A segregação de ativos: por que a falência da corretora não afeta seu dinheiro

Um dos maiores medos do investidor que pensa em manter dinheiro no exterior é: "E se a corretora quebrar?" É um medo legítimo — mas que o sistema americano endereça de forma muito mais robusta do que o brasileiro.

Por exigência da SEC, corretoras americanas são obrigadas a manter os ativos dos clientes completamente segregados do capital próprio da instituição. Isso significa que as ações, ETFs e dinheiro que você tem na Interactive Brokers ou na Charles Schwab não aparecem no balanço patrimonial da corretora como ativos delas — pertencem a você, ficam em sua conta, sob custódia da corretora.

Se a corretora quebrar, os ativos dos clientes não entram na massa falida. O SIPC gerencia o processo de transferência das contas para outra corretora. O colapso da MF Global em 2011 e o da Lehman Brothers em 2008 são os testes mais relevantes desse sistema — e em ambos os casos, os ativos segregados de clientes foram protegidos, ainda que o processo de recuperação levasse tempo.

O colapso da FTX em 2022 — que resultou em perdas para clientes — é frequentemente citado como contra-exemplo. Mas a FTX não era uma corretora regulada pela SEC: era uma exchange de criptomoedas que misturava ativos de clientes com capital próprio de forma deliberada e fraudulenta, exatamente o comportamento que a regulação americana proíbe explicitamente para corretoras registradas.

Comparação: proteções do investidor no Brasil e nos EUA

Uma síntese das proteções disponíveis em cada jurisdição:

  • Em caso de falência da instituição: FGC cobre CDBs e depósitos até R$ 250.000 por CPF por instituição no Brasil. SIPC cobre até US$ 500.000 por conta (incluindo US$ 250.000 em caixa) nos EUA para corretoras registradas, mais cobertura suplementar em muitas corretoras;

  • Segregação de ativos: obrigatória por regulação da SEC nos EUA. No Brasil, corretoras também têm obrigações de segregação, mas o framework regulatório americano é mais testado e mais antigo;

  • Supervisão regulatória: CVM e Banco Central no Brasil; SEC, FINRA, OCC e Fed nos EUA — com histórico de enforcement mais extenso e mais público;

  • Transparência de reporting: corretoras americanas publicam relatórios financeiros auditados trimestralmente, com disclosure de capital próprio, liquidez e exposições. O nível de transparência exigido é maior do que o padrão brasileiro para a maioria das corretoras.

Boas práticas de segurança para o investidor individual

A tecnologia e a regulação constroem as paredes do cofre. O investidor é quem controla a porta. As práticas mais importantes:

  • Autenticação de dois fatores (2FA): sempre ative o 2FA em todas as contas financeiras — brasileiras e internacionais. Preferencialmente usando um aplicativo autenticador (Google Authenticator, Authy) em vez de SMS, que pode ser interceptado via SIM swapping;

  • Senhas fortes e únicas: nunca reutilize senhas entre serviços financeiros. Um gerenciador de senhas (1Password, Bitwarden) facilita a gestão de dezenas de senhas complexas;

  • Verificação do endereço: sempre confirme que está no site correto antes de inserir credenciais. Ataques de phishing replicam sites de corretoras com URLs quase idênticas;

  • Desconfie de comunicações não solicitadas: corretoras e bancos sérios nunca pedem sua senha ou código de autenticação por telefone, e-mail ou WhatsApp. Se alguém ligar pedindo, é golpe;

  • Atualize regularmente: manter os aplicativos e o sistema operacional atualizados elimina vulnerabilidades conhecidas que hackers exploram sistematicamente;

  • Use redes confiáveis: nunca acesse contas financeiras em redes Wi-Fi públicas sem VPN.

Cuidados ao avaliar a segurança de uma instituição internacional

  • Verifique o registro regulatório: toda corretora americana legítima que aceita clientes é registrada na FINRA — verificável no site BrokerCheck (brokercheck.finra.org);

  • Confirme a cobertura SIPC: todas as corretoras membro da SIPC são listadas no site da organização (sipc.org);

  • Prefira instituições estabelecidas: Interactive Brokers (fundada em 1978), Charles Schwab (1971), Fidelity (1946) têm décadas de histórico, capital robusto e investimento contínuo em segurança;

  • Leia os relatórios financeiros: corretoras americanas publicam seus relatórios financeiros auditados — um sinal de saúde financeira é capital próprio muito maior do que o mínimo exigido pelo regulador.

Checklist: sua infraestrutura de segurança está em ordem?

  1. Você tem autenticação de dois fatores ativada em todas as suas contas financeiras?

  2. Suas senhas financeiras são únicas e complexas — diferentes entre si?

  3. Você verificou o registro regulatório das instituições onde mantém investimentos (CVM/Banco Central no Brasil, FINRA nos EUA)?

  4. Entende a cobertura de proteção de cada conta (FGC no Brasil, SIPC nos EUA)?

  5. Sabe onde reportar uma suspeita de fraude — no Brasil (BC) e nos EUA (SEC, FINRA)?

Conclusão: o dinheiro mais seguro não é necessariamente o mais próximo

O maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro em 2025 não aconteceu numa corretora americana. Aconteceu via Pix — o sistema de pagamentos que todos os brasileiros usam e consideram seguro por ser familiar e instantâneo. O elo fraco foi um prestador de serviços doméstico de menor porte, com recursos de segurança inferiores aos das grandes instituições internacionais.

Isso não significa que o sistema financeiro brasileiro é inseguro por definição — significa que segurança não é uma propriedade de localização geográfica. É uma propriedade de investimento em tecnologia, robustez regulatória, segregação de ativos e cultura de compliance. E nessas dimensões, as principais corretoras e bancos americanos têm vantagens estruturais relevantes sobre boa parte das instituições domésticas brasileiras.

O investidor que ainda hesita em investir no exterior por não entender "onde o dinheiro fica" tem razão em querer entender — e este artigo tentou responder a essa pergunta. Mas o medo deveria ser proporcional ao risco real, não à familiaridade percebida. E o risco real, medido objetivamente, não favorece necessariamente o que está mais perto.

Use o Mapa do Investidor Internacional para entender como estruturar sua carteira internacional em instituições regulamentadas e seguras, adequadas ao seu perfil. Se preferir conversar com nosso time, clique no botão vermelho.

As informações deste artigo têm caráter educativo e refletem dados públicos disponíveis em junho de 2026. Dados sobre incidentes cibernéticos e regulamentação estão sujeitos a atualização. Nada neste conteúdo constitui recomendação individual de investimento ou assessoria jurídica sobre segurança digital. Consulte sempre profissionais habilitados.

Perguntas frequentes

O que é o SWIFT e como ele protege transferências internacionais?

SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é uma rede privada de mensageria financeira que conecta mais de 11.000 instituições em 200 países e processa mais de 40 milhões de mensagens por dia. Ela não movimenta dinheiro — transmite instruções autenticadas entre bancos. Suas proteções incluem rede privada separada da internet pública, autenticação obrigatória de dois fatores para cada mensagem, criptografia ponta a ponta e um programa anual obrigatório de auditoria de segurança (CSCF) para todas as instituições conectadas. O maior ataque documentado à rede (Bangladesh, 2016) não quebrou a criptografia — comprometeu os sistemas internos do banco emissor.

O SIPC protege meu dinheiro se uma corretora americana quebrar?

Sim — com limites específicos. O SIPC (Securities Investor Protection Corporation) cobre até US$ 500.000 por conta (incluindo até US$ 250.000 em dinheiro em espécie) em caso de falência de uma corretora americana registrada. A proteção é contra falência institucional, não contra perdas de mercado. Muitas corretoras como Interactive Brokers e Fidelity têm cobertura suplementar adicional via seguro privado — a Interactive Brokers cobre até US$ 30 milhões por conta. A proteção complementar vem da obrigação regulatória (SEC) de segregar completamente os ativos dos clientes do capital próprio da corretora — se a corretora quebrar, seus ativos não entram na massa falida.

O que é criptografia AES-256 e por que é considerada inquebrável?

AES-256 é o padrão de criptografia simétrica usado pelo sistema financeiro global e pelo governo americano para informações classificadas. Com uma chave de 256 bits, o número de combinações possíveis é 2^256 — um número astronomicamente maior do que o número de átomos no universo observável. Para quebrar uma chave AES-256 por força bruta usando todos os computadores existentes, seriam necessários trilhões de vezes a idade do universo. Na prática, a criptografia AES-256 não é o elo fraco do sistema — o elo fraco é sempre o elemento humano: senhas reutilizadas, funcionários aliciados, phishing sofisticado.

O que aconteceu no ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro em 2025?

Na madrugada de 29 de junho de 2025, criminosos desviaram R$ 813 milhões do sistema financeiro brasileiro através da C&M Software, uma prestadora de serviços tecnológicos homologada pelo Banco Central que conectava instituições ao Pix. O ataque não quebrou a criptografia do Pix — explorou o elo fraco da cadeia: um funcionário da prestadora foi aliciado, e suas credenciais legítimas foram usadas para gerar ordens de pagamento fraudulentas. Os criminosos estudaram o alvo por 3-4 meses, escolheram uma noite de domingo para reduzir a vigilância humana, e dispersaram os recursos via criptomoedas antes da detecção. Em 2025, foram 76 incidentes cibernéticos graves reportados ao Banco Central — 11 vezes mais do que em 2018.

Como funciona a segregação de ativos em corretoras americanas?

Por exigência da SEC, corretoras americanas devem manter os ativos dos clientes completamente segregados do capital próprio da instituição — em contas separadas, sem commingling. Isso significa que as ações, ETFs e dinheiro que você tem na Interactive Brokers ou na Charles Schwab não são ativos da corretora e não entram na massa falida se ela quebrar. O SIPC gerencia a transferência das contas para outra corretora em caso de falência. A comparação relevante: a FTX colapsou em 2022 causando perdas a clientes porque misturava deliberadamente ativos de clientes com capital próprio — comportamento proibido para corretoras registradas na SEC.

Como me proteger de ataques cibernéticos nas minhas contas financeiras?

As práticas mais importantes: (1) autenticação de dois fatores (2FA) em todas as contas financeiras — preferencialmente via aplicativo autenticador, não SMS; (2) senhas únicas e complexas para cada serviço financeiro, gerenciadas por um aplicativo de senhas; (3) verificação do endereço do site antes de inserir credenciais (ataques de phishing replicam URLs quase idênticas); (4) nunca fornecer senha ou código de autenticação por telefone, e-mail ou WhatsApp — instituições sérias nunca pedem isso; (5) manter aplicativos e sistemas operacionais atualizados; (6) evitar redes Wi-Fi públicas sem VPN para operações financeiras.

Fontes e referências

Revisado por Equipe InvestGlobal em 06 de julho de 2026

João Augusto C. Fernandes

Escrito por

João Augusto C. Fernandes

Sócio da Wiser Investimentos | BTG Pactual e fundador da plataforma InvestGlobal.

Continue lendo

Artigos relacionados

Aprofunde o tema e conheça outros conteúdos sobre investimentos e planejamento patrimonial.

Comparação entre títulos de renda fixa que sofrem marcação a mercado (Tesouro Prefixado, IPCA+, T-Bonds) e os que não sofrem (Tesouro Selic, CDB CDI, T-Bills)

Educação Financeira

Marcação a mercado: o que realmente interessa e como colocá-la em prática

Nem todo título de renda fixa oscila da mesma forma. Tesouro Prefixado e IPCA+ podem perder 20% a 30% de valor de mercado num ciclo de alta de juros. Tesouro Selic e CDBs pós-fixados praticamente não oscilam. Fundos de renda fixa marcam a mercado todos os dias — mesmo que os títulos sejam pagos em dia. E nos EUA, a lógica é exatamente a mesma. Guia completo por tipo de título.