Representação das principais estratégias de investimento em ações americanas — value investing, growth investing, dividend investing e análise técnica — para o investidor brasileiro

Estratégia de Investimento

Estratégias de investimento em ações americanas: value, growth e como escolher a sua

Publicado em 06 de julho de 2026Atualizado em 09 de julho de 202618 min de leitura

O mercado americano oferece algo que o brasileiro não tem: profundidade suficiente para que value investing, growth investing, dividend investing e análise técnica funcionem simultaneamente — cada um em seu contexto. Entenda as diferenças entre cada abordagem, por que o mercado americano as potencializa, e como o investidor brasileiro escolhe a mais adequada ao seu perfil.

Uma das perguntas mais comuns de quem está começando a investir nos Estados Unidos é: qual estratégia devo usar? Value investing como Warren Buffett? Growth investing como os que compraram Nvidia em 2020? Dividendos mensais para gerar renda passiva? Análise técnica para entrar e sair nos momentos certos?

A resposta honesta é que não existe uma estratégia universalmente superior — existe a estratégia certa para cada perfil, horizonte e momento de mercado. Mas há uma condição prévia que raramente é discutida: para que qualquer dessas estratégias funcione com consistência, é preciso um mercado com características específicas. E o mercado americano tem essas características em grau que o mercado brasileiro simplesmente não oferece.

Resposta rápida: As principais estratégias de investimento em ações são value investing (comprar negócios abaixo do valor intrínseco), growth investing (comprar empresas com alto potencial de crescimento), dividend investing (renda passiva via dividendos) e análise técnica (timing por padrões de preço e volume). O mercado americano potencializa todas elas por sua profundidade, diversidade setorial e ciclos de crescimento mais longos. Para o investidor brasileiro, value e growth investing oferecem a melhor relação entre potencial de retorno e tributação — dividendos americanos sofrem retenção de 30% na fonte para não-residentes, o que reduz significativamente sua atratividade.

Por que o mercado americano é diferente — e por que isso importa para a estratégia

Antes de discutir estratégias, é fundamental entender o ambiente em que elas operam. O mercado americano e o brasileiro são estruturalmente diferentes em quase todas as dimensões relevantes para o investidor.

Profundidade e liquidez sem paralelo

O mercado americano é o maior e mais líquido do mundo. O S&P 500 sozinho reúne 503 das maiores empresas americanas, com capitalização total acima de US$ 45 trilhões. A NYSE e a Nasdaq juntas têm mais de 6.000 empresas listadas — em setores que vão de saúde e defesa a software, biotecnologia, energia renovável e inteligência artificial.

A B3 brasileira, em comparação, tem cerca de 450 empresas listadas com volume de negociação diário muito menor. E mais relevante do que o número: a composição setorial da B3 é altamente concentrada em commodities (Vale, Petrobras, agronegócio) e bancos (Itaú, Bradesco, Santander Brasil) — setores que dependem fortemente de ciclos de commodities globais e de política monetária doméstica, não de inovação e crescimento de longo prazo.

Ciclos de crescimento mais longos e vigorosos

O S&P 500 registrou retorno médio de aproximadamente 10% ao ano nas últimas décadas — com ciclos de alta que frequentemente duram vários anos sem interrupção significativa. O bull market de 2009 a 2020 foi o mais longo da história americana: mais de 10 anos de alta ininterrupta. O bull market de 2022 a 2025, impulsionado pela revolução de inteligência artificial, entregou ganhos de mais de 100% em três anos.

O mercado brasileiro tem ciclos muito mais curtos e voláteis, altamente dependentes do cenário político doméstico, da taxa de câmbio, da política do Banco Central e dos preços das commodities. Estratégias de longo prazo que funcionam naturalmente no mercado americano exigem muito mais tolerância à volatilidade no contexto brasileiro.

Histórico de dados e pesquisa analítica

O mercado americano tem mais de 150 anos de dados históricos confiáveis, cobertura analítica de dezenas de milhares de analistas para cada empresa relevante, e uma cultura de disclosure que torna as demonstrações financeiras das empresas americanas entre as mais transparentes e padronizadas do mundo. Isso permite que todas as estratégias — desde a análise fundamentalista profunda do value investing até os indicadores técnicos da análise gráfica — sejam aplicadas com base em dados de qualidade muito superior.

As estratégias em detalhe: o que são, como funcionam e para quem fazem sentido

Value investing: comprar um dólar por cinquenta centavos

O value investing é a abordagem mais documentada e academicamente validada da história dos mercados financeiros. Desenvolvida por Benjamin Graham na Columbia Business School nos anos 1930, popularizada pelo livro "O Investidor Inteligente" (1949) e levada ao seu ponto mais alto por Warren Buffett ao longo de 70 anos de carreira, a filosofia tem uma premissa central elegante: o mercado frequentemente precifica ativos abaixo de seu valor intrínseco — e o investidor paciente que compra nessas janelas e espera o mercado reconhecer o valor é sistematicamente recompensado.

Como funciona na prática

O value investor analisa os fundamentos de uma empresa — receita, lucro, fluxo de caixa, dívida, vantagem competitiva, qualidade da gestão — e chega a uma estimativa do valor intrínseco do negócio. Se o preço de mercado estiver significativamente abaixo desse valor (a chamada margem de segurança), compra. Se estiver acima, espera ou evita.

Os indicadores mais usados no value investing incluem:

  • P/L (Preço/Lucro): quanto o mercado paga por cada dólar de lucro. Um P/L de 15 significa que a ação custa 15 vezes o lucro anual da empresa. Empresas com P/L baixo em relação ao setor podem estar subvalorizadas;

  • P/VP (Preço/Valor Patrimonial): compara o preço de mercado ao valor contábil dos ativos. Um P/VP abaixo de 1 significa que o mercado precifica a empresa abaixo do valor de seus ativos;

  • EV/EBITDA: valor da empresa (incluindo dívida) dividido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Métrica mais completa que o P/L para comparar empresas com estruturas de capital diferentes;

  • FCF Yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre): o fluxo de caixa livre como percentual do valor de mercado — indicador de quanto caixa real a empresa gera para seus acionistas.

Por que o mercado americano potencializa o value investing

A diversidade setorial americana cria constantemente oportunidades de value investing que simplesmente não existem na B3. Quando o mercado penaliza temporariamente um setor inteiro por razões cíclicas ou de sentimento — como aconteceu com bancos em 2023, com energia em 2020 ou com saúde em determinados períodos —, há dezenas de empresas de qualidade com fundamentos sólidos negociando a múltiplos historicamente baixos. Na B3 concentrada em commodities e bancos, essas janelas são muito mais raras e menos diversificadas.

Para quem faz sentido

Value investing é a estratégia mais adequada para investidores com horizonte de 5 a 10 anos ou mais, disposição para análise fundamentalista (ou acesso a pesquisa de qualidade), e tolerância psicológica para manter posições mesmo quando o mercado discorda no curto prazo. A história de Buffett com a American Express (que manteve por mais de 30 anos) e com a Coca-Cola (comprada em 1988, nunca vendida) ilustra o horizonte necessário.

O maior risco do value investing é a chamada "armadilha de valor" (value trap): uma empresa que parece barata pelos múltiplos, mas está barata porque seus fundamentos estão genuinamente deteriorando — não por erro do mercado. Distinguir os dois casos é a habilidade central que separa bons value investors dos maus.

Growth investing: comprando o futuro pelo preço de hoje

Se o value investing compra o presente a desconto, o growth investing compra o futuro a prêmio. O growth investor não está procurando empresas baratas — está procurando empresas cujo crescimento futuro justificará — e superará — o preço aparentemente alto que está pagando hoje.

O crescimento excepcional composto ao longo de anos pode transformar um múltiplo aparentemente caro em um negócio extraordinariamente barato em retrospecto. Quem comprou Amazon em 2001 pagou um P/L altíssimo por uma empresa que ainda não era lucrativa — mas estava comprando uma posição numa das empresas mais valiosas do mundo duas décadas depois. O mesmo vale para quem comprou Nvidia em 2019, Apple em 2008, ou Google em 2005.

Como funciona na prática

O growth investor foca em métricas diferentes do value investor:

  • Crescimento de receita: empresas de crescimento genuíno crescem receita a taxas de 20%, 30%, 50% ou mais ao ano. A sustentabilidade desse crescimento é a questão central;

  • TAM (Total Addressable Market): o tamanho do mercado que a empresa pode potencialmente endereçar. Uma empresa que captura 5% de um mercado de US$ 1 trilhão ainda tem espaço enorme para crescer;

  • NRR (Net Revenue Retention): em empresas de software, mede quanto os clientes existentes gastam no período seguinte em relação ao período anterior. NRR acima de 120% significa que os clientes existentes sozinhos fazem a empresa crescer, mesmo sem novos clientes;

  • Margem bruta e tendência de margem operacional: empresas de crescimento de alta qualidade têm margens brutas elevadas (60%+ em software) e margens operacionais que melhoram conforme escalam — o modelo de negócio se torna mais eficiente com o crescimento.

Por que o mercado americano é o ambiente natural do growth investing

O growth investing depende de empresas que possam crescer de forma exponencial — e isso exige acesso a mercados globais, capital abundante e ecossistema de talentos e tecnologia. O Vale do Silício, o corredor de biotecnologia de Boston, os centros de defesa e aeroespacial da Virgínia e do Texas concentram exatamente esse ecossistema. As empresas de crescimento mais relevantes do mundo — Nvidia, Microsoft, Apple, Meta, Alphabet, Amazon — são americanas porque o ambiente americano cria as condições para esse tipo de crescimento.

Na B3, o universo de empresas de crescimento genuíno é muito mais restrito. Há exceções notáveis — Magazine Luiza em seu ciclo de crescimento, Mercado Livre (listada na Nasdaq, não na B3), Nubank (NYSE) — mas são exceções, não a regra. O mercado americano oferece centenas de empresas em estágios diferentes de crescimento em setores que vão de inteligência artificial e biotecnologia a defesa cibernética e energia renovável.

Growth vs. especulação: a distinção mais importante

O maior risco do growth investing é confundi-lo com especulação. Uma empresa que cresce receita a 50% ao ano mas não tem modelo de negócio sustentável, queima caixa indefinidamente e depende de múltiplos de mercado permanentemente elevados para justificar seu preço não é uma empresa de crescimento — é uma aposta especulativa.

A distinção prática: empresas de crescimento de qualidade têm margens brutas elevadas, trajetória clara rumo à lucratividade (ou já são lucrativas), modelo de negócio com defesa competitiva, e preço que pode ser justificado por fluxo de caixa descontado mesmo em cenários conservadores de crescimento. Empresas especulativas dependem do otimismo contínuo do mercado para sustentar suas valuations — e colapso quando o sentimento muda.

O ciclo de 2021-2022 foi um laboratório perfeito dessa distinção: empresas de software de crescimento genuíno (Salesforce, ServiceNow, Datadog) caíram 40-60% mas se recuperaram e superaram máximas anteriores. Empresas especulativas sem fundamentos (muitas SPACs, empresas de veículos elétricos sem receita, fintechs pré-receita) caíram 80-90% e muitas nunca se recuperaram.

Value e growth não são opostos — são complementares

Uma distinção importante, frequentemente perdida no debate acadêmico: value investing e growth investing não são estratégias mutuamente exclusivas. Buffett — o maior value investor da história — comprou Apple em 2016 a múltiplos que muitos value investors considerariam caros demais. Por quê? Porque a Apple combinava as características que ele procura num bom negócio (fosso competitivo extraordinário, margens elevadas, gestão excelente) com crescimento genuíno e sustentável.

A melhor forma de pensar na relação entre as duas estratégias é como um espectro, não como uma dicotomia. Em uma extremidade, o value puro de Graham: comprar ativos tangíveis a desconto do valor contábil, independentemente do crescimento. Na outra extremidade, o growth puro especulativo: pagar qualquer múltiplo por crescimento de receita acelerado. No meio, onde os melhores resultados historicamente se concentram: empresas de qualidade excepcional, com fosso competitivo e crescimento sustentável, compradas a preços razoáveis.

Phil Fisher, outro investidor lendário e uma das influências de Buffett, capturou essa síntese: "O preço que você paga hoje determina o retorno que vai obter amanhã — mas a qualidade do negócio que você compra determina se você terá um retorno para obter."

Dividend investing: renda passiva com ressalva importante para o brasileiro

O dividend investing — estratégia de construir uma carteira de empresas que pagam dividendos consistentes e crescentes, gerando renda passiva — tem enorme apelo conceitual: a ideia de receber pagamentos periódicos enquanto mantém a propriedade das ações é genuinamente atraente.

O mercado americano oferece um universo rico para essa estratégia: os chamados Dividend Aristocrats são empresas do S&P 500 que aumentaram seus dividendos por pelo menos 25 anos consecutivos — há mais de 60 dessas empresas, incluindo Johnson & Johnson (61 anos consecutivos de aumento), Procter & Gamble (67 anos) e Coca-Cola (62 anos). Os Dividend Kings elevam o critério para 50 anos consecutivos de aumento.

A ressalva crítica para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro não-residente nos EUA, dividendos de ações americanas sofrem retenção na fonte de 30% (withholding tax) — cobrada diretamente pelo IRS antes que qualquer centavo chegue à sua conta. Isso significa que, se uma empresa pagar US$ 100 em dividendos, você recebe US$ 70.

A situação fica mais complexa porque o Brasil e os EUA têm um tratado de bitributação limitado que não cobre completamente os dividendos para pessoa física — o que significa que, dependendo da estrutura, o investidor pode não conseguir compensar integralmente o imposto americano retido no IR brasileiro. Na prática, a carga tributária efetiva sobre dividendos americanos para o investidor brasileiro pode chegar a 40-45% do valor bruto.

Comparado ao investimento em ETFs de acumulação (que reinvestem os dividendos automaticamente sem distribuição e sem tributação imediata), o dividend investing nos EUA é estruturalmente desvantajoso para o não-residente. Por essa razão, ETFs como o CSPX (iShares Core S&P 500 UCITS, domiciliado na Irlanda, versão de acumulação) são frequentemente preferíveis aos ETFs distribuidores para o investidor brasileiro — como discutido no artigo sobre sucessão patrimonial desta série.

Análise técnica e momentum: o timing como estratégia

A análise técnica parte de uma premissa diferente das abordagens fundamentalistas: que o preço e o volume de negociação de uma ação contêm toda a informação relevante sobre o comportamento futuro dos participantes do mercado, e que padrões históricos de preço tendem a se repetir.

O investidor que usa análise técnica não pergunta "qual é o valor intrínseco desta empresa?" — pergunta "qual é a direção mais provável do preço desta ação nas próximas semanas ou meses, com base nos padrões gráficos e indicadores de momentum?"

Quando a análise técnica faz sentido — e quando não faz

A análise técnica tem utilidade real em contextos específicos:

  • Definição de pontos de entrada e saída para posições fundamentalistas: um value investor pode usar a análise técnica não para decidir o que comprar, mas quando comprar — entrando quando o gráfico sugere que a queda está perdendo momentum e a reversão está próxima;

  • Gestão de risco em posições de curto prazo: stops técnicos — níveis de preço pré-definidos para encerrar posições perdedoras — são ferramentas de gestão de risco que qualquer abordagem pode incorporar;

  • Mercados de alta liquidez: no mercado americano, com volumes de negociação muito maiores do que o brasileiro, os padrões técnicos têm maior validade estatística porque refletem o comportamento de um universo muito mais amplo de participantes.

Onde a análise técnica tem limitações documentadas: como estratégia primária de investimento de longo prazo, sem ancoragem em fundamentos, a análise técnica tem desempenho inconsistente. Os estudos acadêmicos sobre eficiência de mercado sugerem que padrões gráficos são muito mais exploráveis em ativos de menor liquidez (onde menos participantes os observam) do que em ações americanas de grande capitalização, onde milhares de algoritmos estão constantemente arbitrando os mesmos padrões.

Como o mercado americano compara ao brasileiro para cada estratégia

Uma síntese prática das diferenças relevantes para o investidor:

  • Value investing: o mercado americano oferece diversidade setorial muito maior para encontrar oportunidades. Na B3, value investing se concentra em bancos e commodities — setores cíclicos e politicamente sensíveis. Nos EUA, há oportunidades em saúde, tecnologia madura, utilidades, consumo defensivo e financeiro;

  • Growth investing: praticamente não existe na B3 com a profundidade disponível nos EUA. O Brasil não tem equivalentes domésticos de Nvidia, Microsoft, Alphabet ou Amazon. As maiores empresas de crescimento com origem no Brasil (Nubank, MercadoLibre) estão listadas na NYSE ou Nasdaq, não na B3;

  • Dividend investing: a B3 tem empresas com dividend yield elevado (especialmente bancos e utilities), mas sem o histórico de décadas de crescimento consistente dos Dividend Aristocrats americanos. E para o investidor que investe no exterior, a tributação desfavorável de dividendos americanos reduz a atratividade;

  • Análise técnica: funciona em ambos os mercados, com a vantagem de maior liquidez e menor impacto de manipulação no mercado americano. A B3 tem menor volume em muitas ações, o que pode criar distorções técnicas que não refletem dinâmica real de oferta e demanda.

Qual estratégia escolher — e como combinar abordagens

A escolha de estratégia não precisa ser exclusiva. A maioria dos investidores bem-sucedidos usa uma combinação que reflete seu perfil, horizonte e capacidade de análise:

  • Para o investidor iniciante ou com pouco tempo para análise: a recomendação de Buffett se aplica diretamente — ETFs de índice amplo (S&P 500 ou mercado global) com aportes regulares. É growth e value ao mesmo tempo: você captura o crescimento das melhores empresas americanas ao preço do mercado, sem precisar selecionar individualmente;

  • Para quem quer selecionar ações individuais com horizonte longo: a combinação de princípios de value (pagar preço razoável, exigir margem de segurança) e growth (focar em empresas com fosso competitivo e crescimento sustentável) — o que Buffett chama de comprar negócios maravilhosos a preços justos — é a abordagem historicamente mais robusta;

  • Para quem tem perfil mais ativo: usar fundamentos (value ou growth) para definir o que comprar e análise técnica para definir quando comprar e vender. O risco é aumentar a frequência de operações e, com ela, os custos de transação e a carga tributária;

  • Para quem busca renda passiva em dólar: ETFs de acumulação são mais eficientes fiscalmente que dividend investing para o brasileiro. Uma alternativa são REITs de qualidade — mas também sofrem tributação de 30% nos dividendos para não-residentes.

Cuidados ao escolher e aplicar uma estratégia

  • Consistência supera sofisticação: uma estratégia simples aplicada com disciplina consistente supera estratégias sofisticadas aplicadas de forma irregular. O maior inimigo do investidor é mudar de estratégia no pior momento — quando o mercado temporariamente invalida a abordagem escolhida;

  • Cada estratégia tem ciclos favoráveis e desfavoráveis: growth investing dominou de 2010 a 2021; value investing dominou de 2022 a 2024. Nenhuma estratégia funciona em todos os ambientes de mercado — diversificar entre abordagens reduz esse risco;

  • Tributação afeta o retorno real: para o investidor brasileiro, as implicações fiscais de cada estratégia são tão importantes quanto o retorno bruto. Consulte sempre um especialista tributário antes de estruturar uma carteira internacional;

  • Tempo de aprendizado é real: análise fundamentalista profunda para value ou growth investing leva tempo para desenvolver. Começar com ETFs de índice enquanto aprende é uma estratégia legítima — e frequentemente mais rentável do que apressar a transição para seleção individual.

Checklist: você está usando a estratégia certa para o seu perfil?

  1. Qual é o seu horizonte de investimento real — não o ideal, mas o que você consegue manter sem precisar do dinheiro?

  2. Você tem tempo e disposição para analisar demonstrações financeiras individuais, ou prefere delegar essa seleção a um índice?

  3. Sua tolerância psicológica a quedas é compatível com a volatilidade da estratégia escolhida — especialmente em growth, onde correções de 30-50% são comuns mesmo em empresas de qualidade?

  4. Você entende as implicações fiscais da sua estratégia para o investidor brasileiro — especialmente sobre dividendos e ganhos de capital no exterior?

  5. Tem uma regra clara sobre quando vender — e consegue seguir essa regra sem deixar as emoções do mercado interferirem?

Conclusão: o mercado certo, a estratégia certa, o momento certo

O mercado americano não é apenas maior que o brasileiro — é estruturalmente diferente em formas que abrem possibilidades que o investidor doméstico simplesmente não tem. A profundidade setorial que permite encontrar empresas de value em saúde, tecnologia madura e consumo defensivo. Os ciclos de crescimento que permitem ao growth investor capturar décadas de expansão de uma empresa excepcional. A liquidez que torna a análise técnica mais previsível. E o histórico de mais de 150 anos de dados que permite testar qualquer estratégia com rigor estatístico.

A melhor estratégia para a maioria dos investidores brasileiros que estão começando a investir nos EUA não é a mais sofisticada — é a mais simples: ETFs de índice amplo, aportes regulares, horizonte longo. Conforme o conhecimento e o patrimônio crescem, a transição gradual para seleção individual de ações — usando princípios de value e growth — pode adicionar valor. Mas a base sólida de um índice bem escolhido nunca deixa de ser relevante.

Use o Mapa do Investidor Internacional para entender qual combinação de estratégias faz sentido para o seu perfil específico. Se preferir conversar com nosso time, clique no botão vermelho.

As informações deste artigo têm caráter educativo e refletem análises baseadas em dados públicos disponíveis em junho de 2026. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Nada neste conteúdo constitui recomendação individual de investimento. As implicações fiscais mencionadas são de caráter geral — consulte sempre um especialista tributário antes de tomar decisões.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre value investing e growth investing?

Value investing busca empresas cujo preço de mercado está abaixo do valor intrínseco — comprar um bom negócio por menos do que vale, esperando que o mercado corrija essa distorção. Growth investing busca empresas com alto potencial de crescimento futuro, disposto a pagar múltiplos mais elevados hoje em troca de participar de uma expansão de valor exponencial nos anos seguintes. Na prática, as melhores oportunidades frequentemente combinam os dois: empresas de qualidade excepcional, com crescimento sustentável, compradas a preços razoáveis — o que Buffett chama de 'negócio maravilhoso a preço justo'.

Por que o mercado americano é mais adequado para essas estratégias do que o brasileiro?

O mercado americano tem três vantagens estruturais: (1) diversidade setorial — mais de 6.000 empresas em todos os setores imagináveis, vs. a B3 concentrada em commodities e bancos; (2) ciclos de crescimento mais longos e vigorosos — o S&P 500 entregou ~10% ao ano nas últimas décadas, com bull markets que duram anos; (3) liquidez e transparência — volume de negociação muito maior e padrão de disclosure que permite análise fundamentalista e técnica de qualidade superior. Para value e growth investing especificamente, a diversidade americana cria muito mais oportunidades do que o mercado doméstico.

Por que dividendos de ações americanas têm tributação desfavorável para o brasileiro?

Dividendos pagos por empresas americanas a não-residentes sofrem retenção na fonte de 30% (withholding tax) cobrada diretamente pelo IRS. De US$ 100 em dividendos, o investidor recebe US$ 70. O tratado de bitributação Brasil-EUA não cobre completamente dividendos para pessoa física, o que pode impedir a compensação integral do imposto americano no IR brasileiro. Na prática, a carga tributária efetiva pode chegar a 40-45% do valor bruto dos dividendos. Por isso, ETFs de acumulação — que reinvestem dividendos sem distribuição — são geralmente mais eficientes fiscalmente para o investidor brasileiro.

Análise técnica funciona no mercado americano?

Tem utilidade em contextos específicos: definir pontos de entrada e saída para posições fundamentalistas, gestão de risco com stops técnicos, e identificação de momentum em ativos com liquidez suficiente. Como estratégia primária de longo prazo, tem desempenho inconsistente — estudos acadêmicos sugerem que em mercados de alta liquidez como o americano, onde milhares de algoritmos arbitram constantemente os mesmos padrões, as ineficiências técnicas são rapidamente eliminadas. O uso mais eficiente combina fundamentos para definir o que comprar e análise técnica para definir quando comprar.

Qual estratégia é recomendada para o investidor brasileiro iniciante no mercado americano?

ETFs de índice amplo (S&P 500 ou mercado global) com aportes mensais regulares — exatamente o que Buffett recomenda para a maioria das pessoas. É growth e value ao mesmo tempo: você captura o crescimento das melhores empresas americanas ao preço do mercado, sem precisar selecionar individualmente. Para o brasileiro, opções como IVVB11 e SPXI11 na B3, ou ETFs UCITS como CSPX via Interactive Brokers (com proteção contra Estate Tax), são os pontos de partida mais eficientes. A seleção individual de ações pode ser adicionada gradualmente conforme o conhecimento e o patrimônio crescem.

Value e growth investing são estratégias opostas ou complementares?

Complementares — não opostas. O melhor exemplo é o próprio Buffett: o maior value investor da história comprou Apple em 2016 a múltiplos que muitos value investors considerariam caros, porque reconheceu uma empresa com fosso competitivo extraordinário e crescimento genuinamente sustentável. A dicotomia value vs. growth é mais útil como ferramenta pedagógica do que como descrição da realidade. Na prática, os melhores resultados historicamente vêm de empresas que combinam qualidade de negócio excepcional (value) com crescimento real e sustentável (growth), compradas a preços razoáveis.

Fontes e referências

Revisado por Equipe InvestGlobal em 06 de julho de 2026

João Augusto C. Fernandes

Escrito por

João Augusto C. Fernandes

Sócio da Wiser Investimentos | BTG Pactual e fundador da plataforma InvestGlobal.

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